terça-feira, 1 de março de 2011

Cê é Meu e Boi num Lambe

Foi assim: um ladrão mais afoito resolveu atacar os bodes e as galinhas do meu tetravô, Dionísio, conhecido também, no trecho, como Jumentão da Maravilha. E o coronel já tinha mandado um aviso para o cabra: "digam a esse cabra que ele num se meta a besta". Pois se meteu, assim igualzim a esse outro Pedro. [O ladrão também era Pedro].

O coronel mandou amarrá-lo nu, ao moirão do curral, igual àquele quadro da escravidão, de Debret. A barriga junto do moirão, a bunda p'a trás, livre, ao boi, como no quadro. E então mandou caramelar o cabra-ladrão com mel de furo, também chamado melaço. E soltou o boi. Boi, bicho doido por mel, logo começou a lamber o ladrão. O ladrão contou: "no começo eu até estava achando bom". 

[A língua de boi é pior do que lixa grossa. Cinco lambidas já mina sangue. Sangue e mel, assim mesmo, agridoce! O boi endoida com a "iguaria" e lambe, e lambe, com mais vigor!]
 
"Ai-ai-ai, meu coronelzim de Nosso Senhor Jesus Cristim! valei-me, meu São Bento! valei-me, meu padrim!" — gritava o infame. Minha tetravó ouviu a gritaria e correu para acudir. Perguntou pra que era a outra cabaça de mel, ainda intacta. É pra operação formigueiro, muié! — disse meu tetravô, coronel. Ela, muito piedosa, conseguiu mandar soltar o cabra, que assim escapou da segunda etapa: a bunda empapada de mel de  engenho, às formigas. O cabra
converteu-se, virou profeta, conhecido como Pedim, o Lambido.

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